Aquisição da Saint Paul pela EXAME mostra nova tendência no mercado de mídia e criação de conteúdo
A saturação dos velhos modelos de monetização de veículos de comunicação evidenciam o sucesso da prática de criadores de conteúdo e influenciadores digitais
Antigamente, dominar os meios de comunicação era como escalar o Monte Everest: exigia recursos colossais, licenças especiais (concessões públicas) e uma estrutura complexa para alcançar a massa.
A informação era um produto físico, entregue em papel e tinta, com jornais e revistas disputando a atenção nos quiosques e bancas. A publicidade era a rainha do jogo, financiando impérios midiáticos e ditando as regras do jogo.
Com a chegada da internet, os portais de notícias surgiram como uma força disruptiva, democratizando o acesso à informação e inaugurando a primeira grande bolha digital. Mas a festa durou pouco.
A bolha estourou, levando consigo uma legião de sites com conteúdo duplicado e pouco valor agregado. As redes sociais derrubaram as barreiras da criação de conteúdo, e gigantes como Google e Facebook assumiram o controle do mercado de mídia.
Conteúdo descentralizado, poder centralizado
Se antes, o "meio" ditava as regras da comunicação, hoje o "homem" (o criador) se torna protagonista, com o poder de construir sua própria audiência e difundir suas ideias. Mas essa mudança não se deu sem consequências.
Plataformas como YouTube, Google e Meta assumiram o papel de "novos meios", concentrando o poder e as receitas de publicidade. Enquanto o YouTube se consolida como a "nova TV aberta", redes sociais como X, Facebook, LinkedIn e Instagram se transformam em canais de informação, democratizando o acesso ao conteúdo, mas também fragmentando a audiência e a autoridade.
Essa transferência de poder dos veículos tradicionais para as plataformas digitais resultou em uma descapitalização dos antigos meios de comunicação, que lutam para se adaptar a um modelo onde a regra é a gratuidade.
Os criadores de conteúdo, por sua vez, se veem diante de um dilema: depender das plataformas e se submeter a modelos de remuneração muitas vezes injustos ou buscar alternativas para monetizar seu trabalho de forma mais autônoma e sustentável?
Earned Media x Owned Media
É inegável que as plataformas digitais concentram a atenção do público, e os criadores de conteúdo se esforçam para conquistar seu espaço nesse cenário. Com dedicação e estratégia, conseguem construir audiências, autoridade e influência.
Mas "likes" não pagam as contas. Modelos de monetização como conteúdo patrocinado e "publiposts" são questionáveis, com retorno sobre investimento incerto e negociações desequilibradas.
Outro ponto crucial é a fragilidade de construir um negócio em "terreno alugado". Mudanças nas plataformas, sejam elas no algoritmo ou nas políticas de uso, podem impactar negativamente o trabalho dos criadores.
Embora a "earned media" (mídia orgânica conquistada nas plataformas) seja importante, a "owned media" (audiência própria, construída em canais controlados pelo criador) se torna cada vez mais relevante.
E é nesse ponto que reside a grande oportunidade para os criadores de conteúdo: construir canais próprios de comunicação e relacionamento com sua audiência, garantindo maior controle, estabilidade e liberdade para monetizar seu trabalho.




