O Unicórnio de Uma Pessoa Só: Como Destravar Essa Nova Realidade
O conceito de one person unicorn, propagado por Sam Altman, não virá do modelo tradicional de empreendedorismo, entenda a verdadeira estratégia por trás dessa realidade.
Em 2013, o Instagram se tornou um unicórnio (avaliado em mais de USD 1 bilhão) com apenas 13 funcionários. Hoje, Sam Altman, CEO e fundador da OpenAI, propaga a ideia do unicórnio com "1 funcionário só", construído com o apoio da inteligência artificial.
No entanto, a chave para destravar essa nova realidade não é exatamente tecnológica, mas sim de consciência empresarial, saindo da caixinha do "dono de quitanda".
Neste artigo, vou compartilhar minha visão de viabilização do One Person Unicorn e, suspeito, ele está bem próximo de nós (e provavelmente terá lido — ou escrito — este artigo).
O velho paradigma do empreendedorismo
O "velho paradigma do empreendedorismo" ainda assombra muitos negócios, perpetuando um modelo que vive basicamente da exploração da mão de obra barata e de uma alta dependência de crédito. Essas empresas, não raro, transformam-se em verdadeiras destruidoras de valor, gerando um impacto social e econômico negativo a longo prazo.
Essa visão ultrapassada persiste até mesmo no universo das startups mais recentes. Muitas delas só conseguem avançar com rodadas sucessivas e volumosas de investimento, inflando suas métricas e construindo estruturas complexas. O resultado? Empresas que, apesar de alcançarem avaliações de mercado expressivas, ostentam baixa liquidez para seus acionistas e, o que é mais preocupante, geram pouco ou nenhum valor real para a sociedade em que estão inseridas.
Essa distorção cria uma bolha onde a preocupação maior é com a próxima rodada de captação, e não com a sustentabilidade do negócio ou com a resolução de problemas genuínos. A busca desenfreada por uma "saída" ou IPO se torna o único horizonte, desvirtuando o propósito original de inovar e impactar positivamente o mercado.
É fundamental questionar: qual o verdadeiro custo de um crescimento artificialmente impulsionado por capital e que negligencia os fundamentos? Esse modelo, ao invés de construir riqueza e solucionar dores reais, muitas vezes apenas transfere riscos e cria estruturas insustentáveis, culminando em frustrações para investidores, fundadores e, principalmente, para a comunidade que deveria ser beneficiada pela inovação.
Multipreneurship: O Humano no Centro
Por mais que a tecnologia avance e as ferramentas de inteligência artificial se tornem cada vez mais sofisticadas, a presença humana continua sendo o centro vital de qualquer negócio. Tudo parte da necessidade, da inventividade e da capacidade de conexão que só o ser humano possui.
Enquanto muitas discussões ainda giram em torno do dilema CLT versus Empreendedorismo — um debate que, a meu ver, já está mais do que superado —, a verdadeira questão que deveria estar em pauta é outra: Empreendedorismo versus Multiempreendedorismo.
Pense bem: um empresário que depende de uma única fonte de renda, vinda de um único empreendimento, é, paradoxalmente, mais vulnerável do que um profissional CLT. Este último, no mínimo, conta com alguns para-choques legais e, principalmente, não participa do risco financeiro direto do negócio. O empreendedor "monofoco" concentra todos os seus ovos em uma só cesta, expondo-se a riscos muito maiores.
A expansão da capacidade de geração de valor humano é poderosa demais para limitar-se a apenas um empreendimento. No entanto, para explorar todo esse potencial, é preciso mais do que apenas ter ideias. É fundamental treinar a mente, desenvolver novos Soft Assets e, sobretudo, estar atento e preparado para aproveitar as múltiplas oportunidades que o mercado oferece. É nesse ponto que o conceito de multipreneurship se torna não apenas uma estratégia, mas uma necessidade para a sustentabilidade e o crescimento do valor humano.
Não tire o olho do capital
A avaliação de um unicórnio tem mais a ver com o capital envolvido do que, efetivamente, com a genialidade. Por isso, é importante entender como esse mercado funciona.
No centro, está o conceito de equity, que representa a participação em um ativo empresarial.
Alguns tipos de ativos, como startups, têm baixa liquidez e visam uma liquidação futura, que ocorre em uma venda (M&A) ou em uma abertura de capital (IPO). Outros, porém, distribuem dividendos e, a partir de um certo faturamento, possuem boa liquidez no mercado.
O grande segredo do "One Person Unicorn" reside na capacidade de transferir seus ativos pessoais, ou Soft Assets — como os capitais social, intelectual, reputacional, de influência e de imagem —, para ativos empresariais, ou Hard Assets. Isso gera um valor que pode ser capturado pelo mercado financeiro.
Grandes influenciadores, como Mr. Beast (Jimmy Donaldson), cujo grupo empresarial é avaliado em mais de USD 5 bilhões, são a prova de que é possível criar valor a partir de si próprio, de forma consistente e muito mais inteligente que modelos empresariais tradicionais.
E você, o que acha sobre esse conceito? Consegue se visualizar sendo o centro de várias operações empresariais?
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