Os desafios de sair do corporativo
A jornada do corporativo para o empreendedorismo não é intuitiva e a maioria erra nos mesmos lugares
Você seguiu o script desde cedo: Escola, Cursinho, Faculdade, Estágio, MBA, Cargo Executivo.
Mas, em algum momento, sentiu que havia algo errado.
Não com você.
Não com o salário, que é ótimo.
O teto ficou baixo, você sente que poderia fazer mais, que poderia gerar mais valor.
Você se sente encenando um papel.
E é justamente isso.
Grandes corporações não tem dono, tem acionistas.
Grandes corporações não tem propósito, tem cultura.
Alias, tem sim.
O propósito de toda burocracia e manter a burocracia, os cargos, os ritos, de forma infinita, enquanto as finanças aguentarem, e geralmente elas aguentam bastante.
Mas, em algum momento, é hora de sair do zoológico e descobrir o mundo real.
O leão de zoológico
O leão de zoológico é um leão.
Tem a força de um leão.
Dentes e garras de um leão.
Músculos de um leão.
Mas, apesar de ter o instinto, foi ensinado desde cedo a fazer truques.
Ele faz um truque, as pessoas aplaudem.
Depois, o tratador entra e dá a comida.
Ele tem tudo. Água, sol, vegetação, alimento, convênio médico…ops, tratamento veterinário.
Mas, quando o zoológico vai à falência e, por algum descuido, o leão é jogado na savana, as coisas ficam complicadas.
Os velhos truques não funcionam mais, pois não há platéia.
Não existe um tratador para dar o alimento.
Ele não sabe caçar.
Apanha até de um macaquinho nativo.
E, com sorte, pode ser capturado e ir trabalhar num circo de segunda categoria até, com sorte, se aposentar.
O executivo e o leão de zoológico
Essa fábula poderia muito bem ser ajustada para o executivo típico, que passou a vida inteira imerso numa burocracia jogando o jogo corporativo, mas, em algum momento, o instinto diz que existe algo maior lá fora.
Enquanto no corporativo o objetivo é manter o emprego, no mundo real, o objetivo é gerar valor.
Enquanto no corporativo você precisa de títulos e currículo para passar pelo head hunter, no mundo real, você precisa ter um posicionamento claro.
Porém, no fim do dia, um leão é um leão mesmo dentro de uma jaula, e com alguma adaptação, logo fica apto a caçar e dominar a savana como deveria ter sido desde o começo.
No campo da carreira, é usar o track record, realizações e lugares que passou como aval do capital intelectual, e seus contatos próximos e laços fracos como canal de distribuição.
E, principalmente, desenvolver a mentalidade de empreendedor e não de funcionário.
Como sair do corporativo e consolidar-se como solo empreendedor
Quem sai do corporativo para virar “consultor” ou “conselheiro” está fadado ao fracasso, justamente porque, a partir daí, você não é mais um cargo, é um empreendedor.
Como empreendedor, você muda a mentalidade: Não é quem vai me contratar, e sim como eu posso gerar valor no mercado.
Invariavelmente o empreendedor precisa utilizar uma estratégia de portfólio, basicamente composta por:
Produtos de Tração: Contratos de curto prazo e trabalhos pontuais de rápida aprovação e que tornam você um “insider” no cliente;
Produtos Flagship: Contratos de longo prazo que proporcionam estabilidadde;
Produtos de Escala: Produtos que utilizam tecnologia ou tempo de terceiros na entrega.
Os primeiros R$ 300 mil a R$ 500 mil faturados geralmente vem de demanda reprimida, através de contatos próximos e laços fracos. O fechamento é rapido e empolga, no entanto, ficar acomodado nesta faixa pode te quebrar depois de um ano.
De R$ 500 mil a R$ 1 milhão, você consolidou o portfólio e já estabeleceu um fluxo de novos negócios. O cuidado está em evitar preencher todo seu tempo útil em entrega, o que pode comprometer a continuidade.
Entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões, sua imagem ainda vende, mas a execução deve ser predominantemente de terceiros (parceiros ou colaboradores) ou estruturas tecnológicas.
Entre R$ 5 milhões e R$ 15 milhões o foco está em reduzir a dependência da sua presença na operação, consolidando uma estrutura empresarial que gera liquidez para seu ativo. Nessa faixa, você já fica apto ao EXIT, com um patrimônio de mais de R$ 35 milhões.
Hoje, essa é uma jornada validada e mais compatível com o mercado de capitais brasileiro, que tem vocação para a economia real. Por isso, o modelo de empreendimento solo-first baseado em capital intelectual, pilotado por ex-executivos se tornou a mais promissora tese empresarial para os próximos anos.
Não precisamos buscar o “one person unicorn” profetizada por Sam Altman, por aqui, garantir um EXIT de 8 dígitos com mais de 90% de cap table já é uma grande coisa.
Quer sair da matrix corporativa?
Eu já liberei algumas centenas de executivos da matrix corporativa e, juntos, já geramos mais de R$ 100 milhões em ativos empresariais.
Se você quiser conversar a respeito, me mande uma mensagem e vamos conversar.


