Por que eu criei a Solo First?
Criei a Solo First para me conectar com gente que quer resolver problemas de verdade e não ficar se debatendo no pântano do empreendedorismo de arquibancada.
A Solo First não é uma newsletter, embora o Substack seja o meu veículo de escolha. Ela é um movimento. Representa uma mudança tectônica não apenas na forma como os negócios são criados, mas em como o capital vai se comportar nas próximas décadas.
Hoje, vejo uma legião entusiasmada com o vibe coding, com a IA e alardeando que “só agora” é possível construir um negócio sozinho e “de graça”. Eu entendo a empolgação, mas eu fiz exatamente isso em 1998 — sim, no século passado.
Em 1998, o desafio era técnico: construir algo na mão e com ferramentas rudimentares. Em 2026, o desafio é intelectual: conseguir discernir o que é valor real no meio de uma cortina de fumaça tecnológica.
Eu tinha 12 anos, um IBM Aptiva K45 e uma conexão discada de 28.8kbps. Usava o Microsoft Front Page para criar meus sites e subia nas hospedagens gratuitas. Mas, foi quando eu tive a curiosidade de abrir o HTML no bloco de notas que eu descobri a américa. Tudo era texto.
Sem Google, sem Stack Overflow e sem YouTube, meu aprendizado vinha de livros e fóruns da comunidade open source. Comecei a programar em Perl, criando e customizando scripts. Meu primeiro “produto” foi um serviço de contador de acessos gratuito: você criava uma conta, eu fornecia um código e o contador aparecia no seu site.
Naquela época, a moeda de troca eram os banners. Se você tinha um site, divulgava o meu e vice-versa — uma versão analógica das recomendações do Substack de hoje. Mas eu identifiquei uma falha no modelo: nem todo mundo queria poluir o site com banners de terceiros.
Baixei um script Perl, customizei no Bloco de Notas e lancei a solução: se você não quisesse exibir banners, era só pagar uma mensalidade.
O mercado não muda, ele apenas acelera. Se em 1998 eu cobrava para remover banners, em 2026 as pessoas pagam para quem consegue cortar o ruído e entregar clareza.
Pouco tempo depois, lá estava eu, com um Pentium MMX e mais de 1.000 clientes ativos na plataforma. Eu era o desenvolvedor, o suporte técnico e o estrategista, tudo isso enquanto cursava o fundamental no Colégio Agostiniano São José. Eu só conseguia responder os e-mails na parte da tarde, depois da aula.
Fiz há quase 30 anos o que hoje tentam vender como a “última novidade revolucionária”. Mas há uma diferença grande entre os dois momentos.
Em 1998, o barulho era baixo; se algo funcionava, você ganhava o mercado. Em 2026, o ruído é ensurdecedor. O excesso de facilidade gerou uma inflação de promessas. Hoje, a dificuldade não é apenas acessar o mercado, mas manter a sanidade e a capacidade de discernir: o que é um negócio sustentável e o que é apenas um “hype” embrulhado em IA? Estamos vivendo a era da cortina de fumaça, onde ferramentas criam fachadas de empresas que não possuem fundamento algum.
A facilidade de criar com IA gerou um subproduto perigoso: o fim do discernimento. Hoje, o maior ativo de um investidor ou empreendedor não é o capital, é a capacidade de identificar o que é real no meio de tanto ruído.
O mundo não muda. Ele só fica mais rápido — e muito mais difícil de ler.
O Delírio Coletivo do Empreendedorismo de Arquibancada
Existe um motivo muito simples para as pessoas complicarem tanto o processo de empreender: a maioria delas não faz a menor ideia do que é construir um negócio real.
Se você observar com atenção, verá que uma parcela considerável de quem hoje dita as “regras” do empreendedorismo nunca levantou um único tijolo. São especialistas em vídeos de YouTube, viciados em cases romântizados da Forbes e frequentadores assíduos de palestras motivacionais que prometem o atalho para o bilhão.
O resultado? Um público igualmente caótico que amplifica o movimento sem produzir absolutamente nada. E você, que é um profissional sério tentando construir algo real, acaba sendo tragado por esse delírio coletivo.
O Custo da Narrativa Fantasiosa
O empreendedorismo de arquibancada gera distorções perigosas. Ele induz ao erro justamente por não ser pautado na realidade da “Economia Real”, mas em narrativas fantasiosas que circundam o ecossistema de negócios e investimentos.
Na arquibancada, o foco é sempre o destino: o exit, a rodada de investimento, a capa da revista. No campo, o foco é o presente. Quem fica olhando apenas para o longo prazo acaba tropeçando nos problemas operacionais que matam o negócio hoje.
Empreendedorismo de arquibancada é o esporte de quem tem medo do campo. Narrativas vendem cursos e geram likes, mas apenas a realidade constrói caixa.
Status vs. Valor
O sintoma mais claro dessa patologia é a inversão de valores: existe hoje uma massa mais interessada no status de ser empresário do que na missão de gerar valor para a sociedade. É a era do “Founder” na bio do Instagram que não sabe ler um DRE ou resolver um atrito básico de logística.
No final das contas, o ruído da arquibancada serve apenas para uma coisa: distrair quem deveria estar executando. Se você quer construir algo sustentável, o primeiro passo é ignorar quem nunca sentiu o peso da responsabilidade de uma folha de pagamento ou de um produto quebrado.
Status de empresário não paga boleto. Se o seu foco está mais na narrativa do que no produto, você não é um empreendedor, você é um personagem de ficção corporativa.
Comece sem sócio e sem investimento
Quer empreender? Então comece fazendo.
A primeira ação de um empreendedor de arquibancada é tentar achar um investidor. Não por que entende a dinâmica do investimento, mas porque quer errar com o dinheiro dos outros.
Investidores, por sua vez, pedem um time fundador. É natural, quem tem um não tem nenhum, e não somos imortais.
Mas, a grande questão é: Quando você soma um investimento demandado pelo motivo errado e um sócio convidado apenas para conseguir o investimento errado, temos uma sequência de erros com resultados catastróficos exponenciais.
Hoje, apesar do ruído, existem muito mais formas de construir um negócio sozinho:
Amplo acesso à informação
Baixa barreira de entrada tecnológica
IA atuando como Shadow Founder
Redes sociais como canal de distribuição
Isso é mais do que suficiente para iniciar um negócio mesmo sem capital inicial.
Atividades relacionadas a capital intelectual são a base desse mercado, uma vez que não dependem de estrutura ou estoque para serem entregues ao destinatário final.
Para construir um negócio você só precisa de uma coisa: Um problema que exista.
E este parece ser o maior problema dos empreendedores de arquibancada.
Por que eu criei a Solo First?
Eu criei a Solo First por vários motivos. O primeiro? Me conectar com gente que quer sair do ruído e viver no mundo real.
Eu passei anos no ecossistema de Startups e cansei de ver gente “Padre do Balão”, que só quer sair voando, não interessando para onde e acabam caindo no mar e sendo devorados pelos tubarões.
Me recuso a fazer parte disso.
Segundo, porque quero ampliar minha rede de negócios. Minha audiência atingiu um ponto em que eu não consigo converter os negócios sozinho, apoiando e construindo partnership com outros empreendedores, consigo atuar em novas frentes.
Terceiro, eu sou um solo capitalista. Quero construir ativos baseados em capital intelectual e criar veículos de investimento ligados a esse ecossistema, consolidando a minha tese de Nova Economia Real.
O termo Solo First mostra que a abordagem solo é o ponto de partida, mas o valor grande é construído junto, do jeito certo.
Essa é a minha tese.



