Quem pode ser um mentor?
A mentoria é parte fundamental de um portfólio B2C baseado em capital intelectual, mas não é para todo mundo.
Os gurus do “digital” fizeram muita gente acreditar que seria simples faturar com audiência ou conhecimento. Inúmeras variações da fórmula de lançamento, o culto do 6em7, e qualquer mané com uma penca de seguidores já poderia alugar seu Porsche azul conversível e virar uma autoridade em algo.
Não é bem assim.
Neste artigo, vou explorar um pouco dos conceitos de um portfólio B2C e compartilhar a minha experiência como mentor.
Do B2B ao B2C
Considerando o portfólio de carreira independente baseado em capital intelectual, o terreno mais fértil e líquido é, sem dúvida alguma, o B2B. Toda sua jornada, seu conhecimento e seus acessos são amplamente apreciados em aplicações comerciais, como uma continuidade da sua carreira profissional.
No entanto, conforme acumulamos casos de sucesso e ganhamos visibilidade, existe uma demanda reprimida colateral que não está interessado nos seus serviços de costumo, mas em outra coisa.
As pessoas querem se tornar você.
E é aí que entra a mentoria.
Não é possível entrar no mercado de mentoria sem ter sucesso profissional comprovado e, não menos importante, visibilidade.
Quem tem apenas visibilidade, vira o famoso “picareta”. Agora, apenas ter resultado não é suficiente para despertar o desejo pela sua mentoria.
Mentoria x Consultoria (x Terapia)
Muita gente não entende o verdadeiro significado de mentoria e a diferença para outros formatos de entrega de capital intelectual, então, lá vai a minha definição:
Mentoria é a transferência de capital intelectual com acompanhamento de execução de uma pessoa física para outra pessoa física.
Portanto, não podemos considerar mentoria:
Simples transferência de capital intelectual (isso é um curso, aula)
Transferência de capital intelectual para uma empresa (isso é consultoria ou advisory)
Outra questão importante é o método. Uma mentoria precisa:
Ter objetivo claro, começo-meio-fim
Um método e um programa de implementação
Do contrário vira só um bate-papo remunerado ou uma “terapia” executada por um profissional não licenciado (a menos que você seja um psicólogo).
Definindo o seu método
A definição de um método é importante, afinal, mentorias de bate papo só desperdiçam tempo de ambos os lados. Para definir um método, você precisa:
1. Estabelecer um objetivo claro
O seu método deve levar seu mentorado de A para B. Portanto, você deve determinar onde seu público alvo está agora (A) e para onde ele vai (B). E, obviamente, o ponto B tem que ser um lugar onde você está ou já esteve.
2. Formato de entrega
Sua mentoria é presencial, online, tem materiais de apoio? Qual a frequência de encontros?
Além de gerar previsibilidade, o formato de entrega deve ser especificado em contrato, evitando assim dores de cabeça posteriores.
Usando o exemplo da minha Mentoria 1:1 de entrada, eu divido em 3 semanas de SETUP, com três encontros por semana online e acompanhamento de negócios até o mentorado gerar R$ 100 mil em novos negócios. Isso vai na proposta e está no contrato, adicionando também cláusulas de segurança.
3. Quando a mentoria é considerada “entregue”?
É importante especificar quando a mentoria chegou ao fim. Isso pode ser explicitado por número de encontros, por período ou mesmo por atingimento de objetivos.
Isso impede que ela seja um processo indefinido e também cria um possibilidade de upsell ou renovação.
Quem pode ser um mentor?
Todo mundo pode ser um mentor? Não.
Existem pré-requisitos para que você atraia interessados e gere valor de verdade:
Você já precisa ter feito o que ensina. Não se trata de algo teórico, experiência é fundamental.
As pessoas precisam reconhecer seus feitos. Ninguém quer ser mentorado por alguém desconhecido.
Você precisa ter segurança de que pode levar o mentorado para o ponto B. Ter chegado lá não significa que você pode levar outras pessoas para o mesmo lugar.
Você precisa ter um método, não dá para levar “nas coxas”.
Tornar-se um mentor é uma consequência de uma trajetória reconhecida e da construção de autoridade e audiência, e só tempo e estratégia são capazes de construir isso.



