Você no "Bolsa Família" Parte 2: Tecno Feudalismo
Eles precisam de você vivo e conformado.
Esta é a Parte 2 de uma série de três artigos. Caso você não tenha lido o primeiro, aqui está:
A escalada da Inteligência Artificial gera basicamente quatro classes de pessoas:
Os excluídos: Os que não utilizam e desconhecem totalmente.
Os acomodados: Os que utilizam a Inteligência Artificial para substituir seu pensamento e raciocínio.
Os expansores: Os que utilizam a Inteligência Artificial para expandir suas capacidades.
Os construtores: Os que desenvolvem negócios a partir da Inteligência Artificial.
O primeiro grupo tende a ser exilado. Como eles não estão sucetíveis à tecnologia e possuem baixo interesse econômico, tendem a ficar de fora da nova sociedade. São os bárbaros da nova era que talvez ainda sejam mantidos pelo que restou do Estadao e vivem de forma rudimentar, porém livre.
A grande massa do homem comum tende a ser formado por acomodados e expansores, que são altamente engajados pela tecnologia e, devido ao seu interesse e dependência, são facilmente controláveis em massa. Eles representam os vassalos da nova era.
Por fim, um pequeno grupo de construtores que são capazes de gerar novas soluções e assim tem a possibilidade de vir a integrar a elite controladora do novo mundo.
Mas, duas perguntas permanecem: De onde vem o dinheiro e qual o interesse deles nas pessoas?
IA: A máquina de dividendos
Numa estrutura empresarial, a receita gerada a partir do valor capturado do mercado alimenta basicamente:
Custos operacionais
Impostos
Juros
Hoje, já temos uma série de operações totalmente sintéticas, isto é, que não dependem de humanos na sua cadeia de geração de valor. Dentro desse contexto, temos como custos:
Custos operacionais tecnológicos (Servidores, Licenças, Consumo de Tokens)
Impostos
Juros (se aplicável)
Isso é relativamente comum em negócios digitais de pequeno porte, como canais dark, microSaaS, mas já estão surgindo casos de operações unicórrnios operadas basicamente por inteligência artificial.
Com a evolução tecnológica, cada vez mais, empresas sintéticas serão capazes de resolver uma larga escala de problemas que ainda dependiam de humanos, começando pelas atividades intelectuais, porém, invariavelmente, chegando a atividades braçais através da robótica e nano tecnologia.
Pela lógica capitalista do “cada um por si”, veremos o avanço da tecnologia para maximização dos lucros e, consequentemente, distribuição de dividendos, ao passo que a mão de obra humana, a começar pela elite intelectual, vai sendo gradativamente desativada.
O que no início se tornou um maximizador de margem, pode também causar o colapso do sistema capitalista, afinal, com uma legião de deesempregados, quem vai consumir e, o mais importante, quem vai pagar?
A elite precisa que a roda continue a girar
Com o avanço da IA e a dependência tecnológica, as big techs serão basicamente “sócias” de toda e qualquer empresa do planeta. Não precisa ir muito longe, em startups em crescimento, o cloud computing chega a representar 25% do custo total de operação.
A chamada “bolha de IA” nada mais é que a compra de um passaporte, a qualquer custo, para sentar numa cadeira desse futuro distópico e explorar toda a cadeia produtiva do futuro. Não estamos falando apenas de operações financeiras, mas de domínio real.
Por isso, para manter a roda girando, é preciso que haja “mercado consumidor” e também um miolo de empreendedores que resolvem problemas utilizando como matéria prima as super tecnologias mantidas pela elite.
Neste contexto, e para que não haja sobrecarga no que restou do Estado, é preciso criar as “Startups Feudais”.
O tecno feudalismo mantido por IA
No mundo analógico, programas sociais são matidos pelo governo, direcionando parte da arrecadação de impostos para os repasses. Isso gera alguns problemas.
Primeiro, o caráter populista e eleitoreiro, que cria a “Síndrome do Painho”, o segundo, a revolta dos burros de carga, ops, classe média, que acaba arcando com a parte mais pesada desses benefícios.
No tecno feundalismo, empresas sintéticas teriam seu captable totalmente direcionado a um tecno feudo, que reverteria os dividendos gerados na sua própria manutenção e na distribuição de renda para seus servos.
Isso está longe de ser uma utopia.
A Fundação Wins Wilsdorf detém 100% das ações da fabricante de relógios de luxo Rolex, e aplica os dividenddos recebidos em projetos beneficentes e sociais. A diferença é que a Rolex é uma indústria tradicional, tem altos custos operacionais e de mão de obra, e uma empresa sintética, uma margem de contribuição infinitamente maior.
O curioso é que, nesta configuração, as elites tecnológicas representadas pelas big techs, agem praticamente com o Estado, uma vez que os únicos custos significativos estão ligados ao consumo dos seus serviços gerando uma dependência global em larga escala.
Isso é o que mantém seu incentivo no crescimento dos tecno feudos e na manutenção de uma população que, embora seja produtivimente inútil, mantém sua principal função: o consumo.
A transição
A transição para o tecno feudalismo não será muito “tranquila”, afinal, o mundo como conhecemos hoje será duramente modificado. Não se sabe também como será a vida dos exilados e como o Estado irá reagir a essa transição.
O fato é que a elite tecnológica já vislumbrou esse futuro e está se movimentando neste sentido, assim como os grandes grupos financeiros mundiais, o que explica não apenas a bolha de IA, mas a corrida dos governos em obter domínio sobre a tecnologia.
E quanto a você e eu?
Basta abrir os olhos, desenvolver uma visão empreendedora e antecipar-se aos movimentos, e fique tranquilo, quando falamos de interesse e capacidade cognitiva, a concorrência é baixíssima.
No próximo e último capítulo, vamos explorar os códigos sociais do Tecno Feudalismo, como as novas camadas serão moldadas e por que a indústria da distração será essencial para detectar quem será exilado, quem vira servo e quem se junta à elite.



