Equity: FIADO SÓ AMANHÃ
Ativos empresariais são uma forma de construir patrimônio, mas como se proteger para não ficar apenas com uma montanha de papel inútil. Compartilho aqui a minha estratégia...
Qualquer pessoa com o mínimo de educação financeira sabe que dinheiro não é uma reserva de valor, mas sim uma energia de troca. Apesar de sua alta liquidez, o dinheiro sofre constantemente com a pressão inflacionária.
Para preservar seu valor, ele deve ser trocado por ativos — sejam bens que se valorizam e geram renda, como imóveis e participações em empresas (via bolsa de valores ou investimento privado), ou aplicações financeiras que trabalham o seu dinheiro e pagam uma remuneração.
À medida que ganhamos visibilidade e ampliamos nosso networking, surgem diversos convites para participar de novos negócios. E boa parte deles envolve o famoso "equity", ou seja, receber uma participação na empresa como remuneração pela nossa atuação.
À primeira vista, pode parecer uma troca inteligente: sua expertise por ativos empresariais. No entanto, é aí que chegamos ao grande problema: a liquidez.
Liquidez: O Calcanhar de Aquiles do Equity
Dinheiro em espécie é o ativo mais líquido que existe, pois pode ser trocado imediatamente por produtos ou serviços. Seus depósitos em conta corrente são praticamente o mesmo que dinheiro vivo, mas ainda existe um risco de liquidez atrelado à instituição. Embora a quebra de bancos não seja um evento diário, já vimos pessoas passando por grandes apuros.
À medida que avançamos para ativos mais complexos, o problema da liquidez se torna mais evidente. Algumas aplicações financeiras podem manter o dinheiro "preso" por dias, meses e até anos. Imóveis e outros bens também podem ter uma curva de liquidez longa, exigindo tempo e esforço para serem convertidos em dinheiro.
Ainda assim, estamos falando de ativos que, bem ou mal, têm alguma previsibilidade de liquidação. O equity de negócios, por sua vez, tem uma complexidade muito maior.
Ativos empresariais não listados na bolsa de valores são negociados apenas em operações privadas. Mesmo nesse contexto, uma pequena minoria tem a condição de ser vendida algum dia. Isso significa que a maior parte dos ativos empresariais tem apenas os outros sócios como potenciais compradores, o que limita bastante o poder de negociação.
Embora ativos com bom desempenho possam passar por fusões e aquisições (M&A) em determinado momento, isso pode significar uma espera de até 10 anos ou, simplesmente, nunca acontecer. Por isso, é crucial considerar outros dispositivos contratuais para não ter um "fiado eterno" nas mãos.
A Lição do Inverno das Startups
A partir de 2018, com minha atuação no ecossistema de startups, construí uma carteira com literalmente milhões em equity. No entanto, hoje, em 2025, mais de 90% dessas participações deram ou darão write off. Isso significa que decidi desistir delas, pois não acredito que um dia se tornarão líquidas.
Essa percepção se consolidou em 2022, quando fomos impactados pelo famoso “Inverno das Startups”. Esse período jogou um balde de água fria nas expectativas de grande parte dos fundadores e investidores, forçando uma nova realidade.
Desde então, mudei radicalmente minha forma de avaliar empresas e, principalmente, de estruturar meus contratos de equity. Hoje, continuo com uma estratégia de construção de patrimônio via equity, mas sem abrir mão da rentabilidade e da liquidez imediata.
O segredo para essa mudança está em alguns ajustes simples. Compartilho-os com você a seguir.
A principal mudança nos contratos “for Equity”
Uma mudança aparentemente simples, mas que faz toda diferença na sua conta bancária e também no alinhamento de expectativa entre as partes.




